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Palavra do Bispo

A Primeira Comunhão - Agosto de 2011

Na comemoração dos cem anos do decreto “Quam singulari”, pelo qual Pio X determinou que as crianças fizessem a Primeira Comunhão na idade do uso da razão, isto é, cerca dos sete anos e, no momento em que a diocese de São Carlos revê o Diretório dos Sacramentos, gostaria de voltar à questão, sugerindo a antecipação da idade da Primeira Comunhão.

Na época de Pio X não só as crianças não podiam comungar, como também para os leigos a comunhão não era frequente. Daí os dois decretos do Papa: o primeiro – Sacra Tridentina Synodus – sobre a comunhão frequente e quotidiana; o segundo – Quam singulari – sobre a comunhão das crianças. No primeiro, dizia o Papa: “Jesus Cristo e a Igreja desejam que todos os fiéis se aproximem, cada dia, do banquete sagrado, principalmente, a fim de que, estando unidos a Deus por este sacramento, recebam a força de reprimir suas paixões e que, por meio dele, se purifiquem de suas faltas leves, nas quais podem cair todos os dias e que possam evitar as faltas graves, às quais está exposta a fragilidade humana; a comunhão frequente não visa, pois, principalmente dar glória a Deus, nem deve ser considerada como uma espécie de favor e de recompensa pelas virtudes dos que se aproximam dela”. Pio X se refere à doutrina do Concílio de Trento (sessão XXII), ao Evangelho de São João (6,59) e ao pedido do pão quotidiano do Pai-Nosso na interpretação dos Padres da Igreja. Ele tira de Santo Agostinho a ideia de que, na comunhão, o cristão recebe a força de reprimir as paixões. E se levanta contra os danos do “jansenismo” que, por seu rigorismo, ergueu barreiras contra a recepção da Eucaristia.

A comunhão frequente e quotidiana pede aos fiéis somente o estado de graça (ausência de pecado mortal) e a intenção reta (não agir por hábito ou por vaidade). Na verdade, não foi fácil para o clero mudar sua mentalidade rigorista e para os fiéis modificarem os seus hábitos enraizados, numa situação em que era comum ouvir: “não comungo porque sou pecador”. E aí se tornava mais pecador porque não comungava. Criava-se, assim, um círculo vicioso.

Através desse decreto, Pio X, o Papa da Eucaristia e da Catequese, com o desejo de renovação eclesial que inspirou o seu pontificado, ensinou a toda a Igreja o sentido, o valor e a centralidade da Sagrada Comunhão para a vida de todos os batizados, inclusive as crianças. O Papa, ao promulgar o decreto, se apoia no quarto Concílio de Latrão (1215), nas palavras de Jesus: “deixai vir a mim as criancinhas” e no Concílio de Trento, que fala em “idade da razão”.

Pio X queria ainda extirpar a concepção jansenista, para a qual a comunhão seria uma recompensa, ao passo que ela é “um remédio para a fragilidade humana”. Não se requer da criança um conhecimento pleno e perfeito da doutrina cristã, mas que, depois da comunhão, continue a aprender o catecismo inteiro. Basta que a criança saiba distinguir o pão eucarístico do pão comum e corporal.

O Cardeal Cañizares Llovera, Prefeito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos diz: “A Primeira Comunhão das crianças é como o início de um caminho junto com Jesus, em comunhão com Ele; princípio de uma caminhada para que, com Jesus, prossigamos bem e a vida se torne boa e alegre; o encontro com Jesus é a força de que precisamos para viver com alegria e esperança”.

Não podemos e nem devemos retardar a Primeira Comunhão sob nenhum pretexto. Todos, inclusive as crianças, temos necessidade do Pão do Céu, pois também a alma precisa nutrir-se.

E o Cardeal continua: “O encontro com Jesus na Eucaristia é ainda mais importante em nossa época e, sobretudo para as crianças, cuja grandeza, pureza, simplicidade, ‘santidade’ são, com frequência, infelizmente, manipulados e destruídos. As crianças vivem imersas em mil dificuldades, rodeadas por um ambiente difícil que não as encoraja a serem o que Deus quer delas; muitas são vítimas da crise da família. Nessas circunstâncias, são-lhes ainda mais necessários o encontro, a amizade, a união com Jesus, sua presença e sua força. Graças à sua alma imaculada e aberta, são elas que, sem dúvida, estão melhor dispostas a esse encontro”.

A comemoração do centenário do decreto “Quam singulari” é uma providencial oportunidade para insistir na antecipação da idade da Primeira Comunhão, ainda mais quando se nota a precocidade de nossas crianças. Daí não ser recomendável avançar na práxis que se está introduzindo, cada vez mais, de elevar a idade da Primeira Comunhão. Pelo contrário, é necessário e urgente antecipá-la.

E Dom Cañizares conclui, dizendo: “À vista de tudo o que vem acontecendo com as crianças e do ambiente hostil no qual crescem, não as privemos do dom de Deus, gerado pelos sacramentos da iniciação cristã no seio da santa mãe Igreja. A graça do dom de Deus é mais poderosa que nossas obras, nosso planos e programas”.

Faço minhas as palavras do Cardeal.

Dom Paulo Sérgio Machado

Bispo Diocesano

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