"Esta é a voz daquele que grita no deserto: ‘Preparai o caminho do Senhor, endireitai suas estradas!’"
Mc 1,3 (2 Advento-Ano B)
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Estudos e Homilias

Homilia Missa da Quarta-Feira de Cinzas 10 de fevereiro de 2016 - Ano C

Primeira Leitura: Jl 2,12-18

Salmo Responsório: Sl 50

Segunda Leitura: 2Cor 5,20-21.6,1-2

Evangelho: Mt 6,1-6.16-18

 

Aos nossos diáconos e ao povo santo de Deus aqui presente,

Com a Quarta-Feira de Cinzas, iniciamos o Tempo Quaresmal, que se estende por 40 dias. Tempo que nos convida a uma conversão profunda e, ao mesmo tempo, lembra-nos de que somos pó e ao pó retornaremos. Daí a necessidade de praticarmos assiduamente o jejum, a esmola e a oração.

O profeta Joel (2,12-18) nos convida a voltar para o Senhor e rasgar o coração, e não as vestes. O verbo VOLTAR quer significar que a CONVERSÀO é fruto de um ENCONTRO profundo e verdadeiro com o DEUS DA TERNURA E DA MISERICÓRDIA. O Deus que, neste Ano Jubilar da Misericórdia, quer que sintamos de forma mais evidente Seu olhar misericordioso sobre cada um de nós. Aliás, um Deus que não quer a morte do pecador e sim a CONVERSÃO; um Deus que nos levanta do chão e nos conhece pelo nome; um Deus que não nos condena pelas vezes que caímos, mas pelas vezes que não nos levantamos depois das quedas nem nos perdoamos; um Deus que respeita o nosso livre arbítrio e nos acolhe com a ternura própria Dele, quando desejamos voltar; um Deus que é capaz de olhar para dentro de nós e nos amar como somos; um Deus que nos criou a Sua imagem e semelhança; um Deus que morreu na Cruz por amor a nós, pecadores; um Deus que ressuscitou para que sejamos salvos Nele e por Ele; um Deus que nos agracia com dons e nos dá permissão de servi-Lo; um Deus que mora em mim e é capaz de saudar o mesmo Deus que também mora em você (Namastê), tornando-nos irmãos.

A Igreja, a cada ano, através da Campanha da Fraternidade, nos traz um tema riquíssimo. Este ano, o tema proposto é “Casa Comum, nossa responsabilidade” e o lema bíblico apoia-se em Amós 5,24, que diz: “Quero ver o direito brotar como fonte e correr a justiça qual riacho que não seca”.

Esse versículo, segundo Anderson Augusto Pereira, autor do cartaz, traz um apelo ecumênico, pois é responsabilidade de todos cuidar do Planeta Terra, do Universo, do Cosmo. Nós nos baseamos no consumo e nas aparências; nem sempre estamos atentos para as atitudes simples, por exemplo, o destino correto do lixo, o saneamento básico, questões mínimas de higiene. Com o desmatamento do meio ambiente, a diversidade da criação desaparece; a terra fica desolada. Daí um cartaz com aspecto triste: a mulher aí presente quer nos dizer que não devemos perder a esperança de um novo céu e de uma nova terra; que haja transformação e, principalmente, água potável e fresca; que os peixes possam brincar nas águas cristalinas e puras... Essa é a explicação de se dizer: direito e fonte; justiça e riacho...

As Igrejas que participam do CONIC (CONSELHO NACIONAL DAS IGREJAS CRISTÃS) - Igreja Católica Apostólica Romana; Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil; Igreja Episcopal Anglicana do Brasil; Igreja Presbiteriana Unida do Brasil; e Igreja Sirian Ortodoxo de Antioquia - assumem como missão expressar em gestos e ações o mandato evangélico da unidade, que diz: “Que todos sejam um, como tu, Pai, estás em mim e eu em Ti; que também eles estejam em nós, a fim de que o mundo creia que tu me enviaste” (Jo 17,21).

Pela quarta vez, a Campanha da Fraternidade é realizada de forma ecumênica. As anteriores foram estas:

-    Ano 2000 – Dignidade e Paz: Novo Milênio sem Exclusões

-    Ano 2005 – Solidariedade e Paz: Felizes os que Promovem a Paz

-    Ano 2010 – Economia e Vida: Vocês não Podem Servir a Deus e ao Dinheiro

Os objetivos específicos querem nos mostrar a preocupação com o saneamento básico no Brasil, que usará a metodologia do ver, julgar e agir:

  1. Unir Igrejas, diferentes expressões religiosas e pessoas de boa vontade na promoção da justiça e do direito ao saneamento básico;
  2. Estimular o conhecimento da realidade local em relação aos serviços de saneamento básico;
  3. Incentivar o consumo responsável dos dons da natureza, principalmente da água;
  4. Apoiar e incentivar os municípios para que elaborem e executem o seu Plano de Saneamento Básico;
  5. Acompanhar a elaboração e a excussão dos Planos Municipais de Saneamento Básico;
  6. Desenvolver a consciência de que políticas públicas na área de saneamento básico apenas se tornarão realidade pelo trabalho e esforço conjunto;
  7. Denunciar a privatização dos serviços de saneamento básico, pois eles devem ser política pública como obrigação do Estado;
  8. Desenvolver a compreensão da relação entre ecumenismo, fidelidade à proposta cristã e envolvimento com as necessidades humanas básicas.

É o que iremos desenvolver ao longo deste tempo favorável, o tempo de conversão. Para tanto, peçamos ao Senhor: Misericórdia, ó Senhor, pois pecamos.

-    Pecamos quando não cuidamos com responsabilidade da Casa Comum;

-    Pecamos quando não fomos responsáveis quanto ao destino correto do lixo;

-    Pecamos quando não exigimos dos nossos governantes medidas concretas e justas em relação ao saneamento básico;

-    Pecamos quando não favorecemos o direito e a justiça como elementos fundamentais para o desenvolvimento para com o meio ambiente.

Queridos irmãos, olhando para o Livro do Gênesis, ao contemplarmos as obras criadas por Deus, o autor sagrado faz questão de nos dizer: “E Deus viu que era bom...” A humanidade se corrompe e, de lá para cá, vimos o que o ser humano fez com a beleza da criação...

Peçamos sabedoria ao Criador e perdão pelos nossos pecados e, assim, conseguiremos ser agraciados pelo Espírito de Deus a “ver o direito brotar como fonte e correr a justiça qual riacho que não seca”.

Desejo uma santa, fecunda e abençoada Quaresma aos meus queridos amigos e paroquianos.

Amém!

Cônego Alexandre Donizeti Francisco, Opraem

 

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