"Esta é a voz daquele que grita no deserto: ‘Preparai o caminho do Senhor, endireitai suas estradas!’"
Mc 1,3 (2 Advento-Ano B)
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Estudos e Homilias

Homilia da Festa da Exaltação da Santa Cruz – Ano A - 14/09/14

Primeira Leitura: Nm 21,4b-9

Salmo Responsório: Sl 77

Segunda Leitura: Fl 2,6-11

Evangelho: Jo 3,13-17

Irmãos, hoje somos convidados, nesta Celebração Eucarística, a olhar para a Cruz, que é, para nós, cristãos, a árvore da vida. Dela vem a Ressurreição e é o que ouvimos no Evangelho: “Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho unigênito, para que não morra todo o que nele crer, mas tenha a vida eterna (…)”. Deus não enviou o Seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por Ele. A Cruz é sinal de salvação e não sinal de escândalo ou de loucura.

E, do mesmo modo como Moisés levantou a serpente de bronze no deserto, assim também é necessário que o Filho do Homem seja levantado, para que, todos os que Nele crerem tenham a vida eterna (Cf. Jo 3,13-17 e Nm 21,4b-9).

Frente aos desafios de crescer em liberdade, o povo preferiu as amarras da escravidão, que, aparentemente, lhes dava segurança (alimento), quando estava no Egito. As serpentes que atacam o povo – simbolizando o poder opressor – mostram que a rejeição à proposta divina torna-se fonte de morte. O arrependimento provoca o abandono da arrogância e faz o povo reconhecer Deus como a fonte única de liberdade e vida. Dessa forma, a imagem da serpente de bronze levantada não tem valor em si mesma. Mas, colocada na vida de todos, provoca a consciência da rejeição a Deus, tornando-se convite permanente à conversão.

A cruz, ao mesmo tempo em que revela a atrocidade do pecado, exalta a misericórdia de Deus, que é solidário com a dor e o sofrimento do povo.

Deus nos ama; por isso nos corrige, atraindo-nos para perto Dele; é a figura do novo Moisés o Cristo.

Temos, de um lado, o povo opondo-se à vontade de Deus e, de outro, o amor incondicional e gratuito salvando-nos através do sangue na Cruz. Permitamo-nos ser amados por Ele!

Na Internet, há um vídeo que questiona o que Jesus ganhou ao derramar Seu sangue na cruz, já que a humanidade continua se matando, se odiando… Porém, sabemos que valeu e vale a pena, sim!

Gostaria, agora, de olhar para a nossa cruz, que está no altar, alegoria do Caminho Neo-catecumenal, que retrata, simbolicamente, a história da salvação operada por Cristo Jesus. Essa cruz foi desenhada por Kiko Arguello - pintor espanhol e um dos iniciadores fundadores do Caminho Neo-catecumenal na Igreja - e representa:

  1. O Filho de Deus é o presidente da celebração (cruz no centro);
  2. Jesus está vivo e olhando para cima (glória, realeza…);
  3. Os raios são o shekiná, a glória do Senhor, e também o kerigma. Cristo morreu para sepultar os nossos pecados;
  4. O pequeno cinto lembra a corda, remetendo-nos ao sacrifício de Isaac;
  5. O Cristo crucificado está em sua extrema humildade;
  6. Mercabá, o carro de fogo (2Rs 2,11-12) cujas rodas se orientam cada uma em uma direção;
  7. A mulher – entre o globo ou citros – pode ser entendida como Maria aos pés da Cruz: “Eis aí a tua mãe (…)”;
  8. Globo na haste: o mundo;
  9. A Cruz de Cristo, coluna de Cristo, a nossa Cruz, coluna do Universo, árvore da vida. Feliz daquele que tem a Cruz, porque foi ela que abriu as portas do Céu!;
  10. A serpente, símbolo das cobras no Antigo Testamento;
  11. Os símbolos dos Quatro Evangelistas, que são os seguintes:
  • Anjo: São Mateus
  • Leão: São Marcos
  • Boi: São Lucas
  • Água: São João

São símbolos extraídos da glória de Deus (Cf. Ez 1,10).

O profeta via a glória sobre um carro (Merkabah), o qual tinha quatro rodas imensas que iam da Terra ao Céu. E, em cada roda, havia uma figura: a de um anjo, a de um leão, a de um boi e a de uma águia. Tais rodas representam os quatro evangelistas, cujas verdades são acessíveis às pessoas mais simples (ao nível da Terra), ao mesmo tempo que, girando essas rodas, alcançam o alto dos céus, isto é, podem ser entendidas em sentido muito elevado e espiritual, pelos mais excelsos teólogos. A verdade evangélica, assim, é acessível a todos: alimenta os nobres e mata a sede dos pobres.

São Mateus é simbolizado pela figura de um anjo com rosto de homem, porque o seu Evangelho se preocupa em provar a natureza humana de Cristo. Por outro lado, São João (representado pela águia) se preocupa em provar a natureza divina de Cristo, ou seja, Cristo é verdadeiro Homem e verdadeiro Deus; lembra-nos também a geração do Verbo que se fez carne, alçando-se desde o começo a alturas divinas, como a águia que se eleva em seu voo. Já São Marcos é representado por um leão, porque começa o seu Evangelho falando da pregação de João Batista no deserto, na Judeia; o leão vivia no deserto e a pregação de João foi como um rugido de leão; por outro lado, o leão é o rei dos animais e São Marcos quer mostrar Cristo como soberano, como rei. São Lucas (representado pelo boi) tem em vista o caráter sacerdotal de Cristo; o boi nos lembra o sacrifício no Templo, ou seja, era um animal sacrificado no templo em Jerusalém, e Jesus é o Cordeiro imolado e sacrificado por excelência.

Para um maior aprofundamento, sugerimos consultar os livros de Patrística, dos Padres da Igreja, bem como as seguintes obras: Comentando os Evangelhos, Catena Aurea (de São Tomás de Aquino), as obras de São Gregório Magno, de São Bernardo, de Santo Hilário, dos doutores e Padres Orientais, sobretudo de São Gregório Nazianzeno, e os comentários de Hugo de São Victor sobre os Evangelhos.

Irmãos, que, através da nossa adesão a Deus, Cristo seja exaltado e venerado!

A Ele toda a glória e o louvor para sempre!

Amém!

Cônego Alexandre Donizeti Francisco, Opraem

 

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